Arménio Carlos. O operário que vai pôr a CGTP nos carris do PCP
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Arménio Carlos. O operário que vai pôr a CGTP nos carris do PCP
A central sindical elege hoje novo líder. Sectores não comunistas temem que se perca a autonomia face ao PCP Fonte:i Formatado segundo o modelo do combatente comunista conspirador, o novo líder da CGTP é visto por alguns sectores da central sindical como um travão à autonomia conseguida por Carvalho da Silva. O XII Congresso da CGTP consagra hoje um fiel discípulo da doutrina comunista. Arménio Carlos, 56 anos, o comunista perfeito. Quem é o homem que vai ocupar o lugar de Carvalho Silva? “Um sindicalista exemplar, muito dedicado ao trabalho”, diz ao i Ernesto Cartaxo, que trabalhou com Arménio na União dos Sindicatos de Lisboa (USL) e foi substituído por este nas funções que desempenhava na CGTP. “Quando num 1.o de Maio chovia torrencialmente e nos perguntávamos se devíamos desistir da marcha, foi ele quem nos empurrou para avançar”, recorda João Torrado, do conselho nacional da CGTP, que também conheceu Arménio na USL. “É disciplinado, rigoroso, exigente, de um envolvimento sem reservas”, confirma Domingues Libério, coordenador da USL na CGTP, que conhece Arménio há mais de 20 anos. Os observadores externos perguntam-se se o novo líder tem a capacidade de Carvalho da Silva para gerir tendências divergentes e garantir espaço aos minoritários – socialistas, independentes, católicos e bloquistas –, numa central sindical onde o PCP tem posição maioritária. Estas perguntas recebem o “sim” pronto dos militantes comunistas na CGTP, mas suscitam muito menos certeza entre as correntes minoritárias. Fontes ouvidas pelo i nestes sectores falam do fim de um ciclo de quatro anos, iniciado no último congresso, que culmina agora no afastamento dos sindicalistas comunistas que se mantinham autónomos em relação ao PCP. E atribuem a Arménio Carlos o papel principal nesta estratégia de reforço do dirigismo comunista dentro da Intersindical. Electricista na Carris Na CGTP, Arménio Horácio Alves Carlos é responsável por uma das pastas de maior importância, a acção reivindicativa. Membro do comité central do PCP desde 1988, é militante comunista desde 1978. Tinha 18 anos quando começou a trabalhar na Carris como electricista, onde depois integrou a subcomissão de trabalhadores de Cabo Ruivo. Foi dirigente do Sindicato dos Transportes Colectivos de Lisboa, tendo assumido em 1996 funções de coordenador na União de Sindicatos de Lisboa. O anterior congresso da CGTP deu-lhe entrada na comissão executiva. No espaço de quatro anos, desde o congresso, Arménio Carlos conquistou um poder só superado pelo de Carvalho da Silva, até aqui secretário-geral. Não só veio a ganhar cada vez maior destaque, com um protagonismo evidente nas greves e nas manifestações dos últimos meses, como realizou um trabalho de sapador que retirou progressivamente margem de influência aos “autonomistas” da maioria comunista. “A tropa do Arménio foi progressivamente retirando poder real a Carvalho da Silva e ao grupo comunista que mantinha alguma autonomia face ao PCP”, lamenta um histórico de uma das correntes minoritárias. “O que agora vai acontecer é apenas o culminar de um processo de consolidação do domínio do PCP ortodoxo dentro da CGTP”, acrescenta. “Antes de Arménio chegar à central havia acesso a Carvalho da Silva. Mas ele começou a tomar decisões e a reduzir o espaço para debate de ideias diferentes. Quando na reunião da comissão executiva o Arménio diz que será aquilo que o colectivo quiser, deve ler-se obediência e seguidismo”, diz outra fonte dentro da Intersindical. mudanças por reforma O congresso que começa hoje em Lisboa vem não só trazer a substituição do secretário-geral (eleito esta noite), mas também concretiza a renovação imposta pelo novo regulamento que impede a eleição de dirigentes que durante o mandato entrem na idade de reforma. Isto implica a saída de um terço dos dirigentes históricos. Saem 53 dos 147 membros do conselho nacional, 14 dos membros da comissão executiva e dois dos seis membros do secretariado. Para um dos dirigentes dos sectores minoritários, “esta renovação vai permitir de facto realizar uma castração da CGTP, substituindo gente com alguma autonomia por seguidistas satelizados pelo PCP”. O líder da corrente socialista da Inter, Carlos Trindade, é menos crítico. Reconhece a Arménio Carlos qualidades de trabalho e competência. Mas avança dúvidas: “Pergunto-me se é o homem certo para a liderança da CGTP na actual situação político-social, sendo conhecida a sua relação próxima com o PCP.” As dúvidas são partilhadas pelo líder da corrente independente católica que trabalhou com Arménio Carlos na União dos Sindicatos de Lisboa. Ulisses Garrido começa por frisar que Arménio Carlos “era um excelente coordenador”, mas acrescenta que “não tem a mesma autonomia que Carvalho da Silva, o que é motivo de preocupação”. A estreia da nova liderança está marcada para hoje. |
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