Moody's baixa 'rating' de Portugal

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A agência de notação financeira Moody's reviu em baixa o 'rating' da dívida de longo prazo de Portugal em um nível, de Ba2 para Ba3, e mantém as perspetivas negativas, justificando a decisão com a incerteza da zona euro

Fonte: Diário de Notícias

Em comunicado divulgado segunda-feira, a Moody's aponta "a incerteza relativamente à reforma institucional na zona euro e as fracas perspetivas macroeconómicas da região, que vão continuar a pesar na já frágil confiança do mercado".

Também a "potencial contração económica mais profunda e mais longa do que o antecipado", os rácios de endividamento público "maiores do que o esperado" e o "potencial contágio vindo do incumprimento grego iminente, que provavelmente vai prolongar o período em que Portugal não consegue aceder aos mercados" estão entre as razões para a decisão da Moody's.

A agência mantém as perspetivas negativas do 'rating' da dívida pública portuguesa, refletindo "o potencial de um declínio maior nas condições económicas e de financiamento, em resultado da deterioração da crise de dívida na área do euro".

"A Moody's espera que a economia portuguesa contraia em mais de três por cento [do Produto Interno Bruto - PIB] em 2012, tendo em conta os riscos da região, incluindo o impacto da desalavancagem em curso no setor financeiro privado e o impacto imediato das medidas de austeridade do Governo", lê-se na nota da Moody's.

A agência prevê que o desemprego continue elevado, que a procura interna encolha e que o comércio externo de Portugal abrande este ano, o que vai minar as exportações, "o único motor do crescimento do PIB desde a recessão de 2009".

No entanto, diz a agência, há também razões para que o corte do 'rating' de Portugal tenha sido limitado a um nível.

"Em primeiro lugar, o sucesso do Governo em cumprir os objetivos orçamentais" fixados pelos credores internacionais (Fundo Monetário Internacional, FMI, e União Europeia, UE), aponta.

"A segunda razão (...) é a expetativa da Moody's de que o Governo português vai alcançar uma correção do saldo estrutural em 2011 equivalente a cerca de quatro por cento do PIB, o que o FMI considerou ser o maior ajustamento em Europa em 2011", refere ainda a agência.

Também o facto de o Executivo estar a "desenhar e implementar um conjunto suplementar de reformas que pretendem impulsionar a taxa de crescimento potencial da economia" foi um motivo para que a Moody's não cortasse o 'rating' de Portugal em mais níveis.

"O Governo português, ao contrário do da Grécia, tem conseguido garantir a cooperação de um largo segmento da força de trabalho para estas reformas", considera.