Passos admite que desemprego vai continuar a subir

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O primeiro-ministro, que foi ontem vaiado em Gouveia, reconheceu que o desemprego vai subir este ano para 13,4%

Fonte: Diário Económico

O primeiro-ministro reconheceu ontem, numa atribulada passagem por Gouveia, que a "taxa de desemprego possa ainda crescer até cerca de 13,4-13,5%" este ano, contra os 12,7% de 2011. Segundo dados revelados na semana passada, no quarto trimestre, a taxa de desemprego tocou nos 14% - mais de um milhão de portugueses sem trabalho -, o valor mais elevado de sempre. "Temos um programa de assistência económico-financeira que vai durar até 2014 e nos termos desse programa está previsto que, para o final deste ano, comece já a haver uma inversão do ciclo", disse Passos Coelho.

O líder português, pela primeira vez, deixou dúvidas quanto à necessidade de Portugal recorrer a um ajustamento do programa. "Nós não sabemos se precisaremos disso ou não. Esperemos que não. Esperemos poder pôr as nossas contas em ordem na altura devida, com o apoio que nos deram", disse. "A nossa perspectiva é que 2013 seja já um ano em que, gradualmente, a economia vai começar a crescer", disse ontem Passos Coelho, vaiado por populares em protesto contra a introdução de portagens na A23.

Recebido na feira do queijo da Serra da Estrela por uma multidão em protesto, o primeiro-ministro reagiu com "naturalidade" aos protestos. Recusando comparações com a reacção do Presidente da República aos apupos que ouviu em Guimarães e na escola que não chegou a visitar em Lisboa na passada semana, Passos Coelho adoptou a postura oposta. "Há muitas ocasiões em que as pessoas expressam a sua insatisfação, muitas vezes apenas o descontentamento, para mostrarem que têm dificuldades", reconheceu Passos Coelho para quem, na actual conjuntura, o importante é passar uma mensagem de "esperança e de confiança".