Troika. Portugal “no bom caminho” e sem reajustamentos

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Bruxelas fez saber que “não está nos planos” reajustar plano português. Troika ouviu deputados e país soube que já recebeu meio empréstimo

Fonte: i

O cumprimento do programa de ajuda externa “vai no bom caminho”, disseram os representantes da troika aos deputados, de acordo com vários parlamentares presentes na reunião de ontem no parlamento, no dia em que Bruxelas rejeitou um reajustamento do programa português.

À saída da reunião, que durou cerca de uma hora, os representantes da troika não falaram, mas todos os deputados referiram que lá dentro foi dito que Portugal está a dar sinais positivos na execução do Memorando. “Ficámos com a sensação que a avaliação ao programa está a correr bem”, disse o vice-presidente da bancada do PSD, Miguel Frasquilho, salientando que isto deve ser “encorajador” para fortalecer a “boa imagem” do país – “que está a fazer o trabalho de casa” – em termos internacionais. De acordo com dados divulgados ontem, Portugal já recebeu 39,6 mil milhões de euros da ajuda externa, 50,8% do total concedido.

Os representantes da troika terão ainda dito aos deputados que as “possibilidades de crescimento da economia são superiores às que encontraram na última avaliação”, em Novembro. De acordo com o deputado do CDS-PP, Adolfo Mesquita Nunes, este crescimento económico é agora maior devido às reformas estruturais que entretanto têm sido concretizadas, nomeadamente no mercado laboral, na concorrência e no arrendamento.

Reajustamento No dia em que a troika se reuniu com os deputados no âmbito da terceira avaliação ao Memorando, a Comissão Europeia veio a público rejeitar um reajustamento ao programa de assistência financeira português. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, garantiu que “não está nos planos” de Bruxelas uma “revisão de vulto” ao programa, admitindo apenas pequenos ajustamentos dentro daquilo que foi inicialmente acordado.

À troika, o PS lançou o “repto” para que Portugal possa beneficiar das “mesmas condições ontem garantidas à Grécia”, por exemplo, a redução de taxas de juro e o prolongamento do prazo para cumprir as metas em um ano. Para o deputado socialista Pedro Marques, a “pior coisa que pode acontecer” é insistir-se numa lógica de “sobredose de austeridade”.

Mas um reajustamento do programa ou um prolongamento do prazo para cumprir as metas acordadas não está, pelo menos para já, nos planos de Bruxelas. PCP e BE garantiram que a troika não mostrou abertura para qualquer reajustamento e criticaram o “rumo de austeridade”. Para o deputado bloquista João Semedo, a troika insiste num programa que não está a resultar e essa “teimosia” está a sair cara aos portugueses, apesar de ter dito aos deputados que “o Memorando vai no bom caminho”. A opinião é partilhada pelo deputado comunista Miguel Tiago, que contou que a troika disse estar “satisfeita” e que o “rumo será o de persistir nesta austeridade cega”.
A reunião dos deputados com a troika foi o ponto alto do dia de Carnaval no parlamento, que acabou por ser uma terça-feira de trabalho como qualquer outra, devido à suspensão da tolerância de ponto.