"Descubra o líder que há em si" - Livro de Afonso Valente Batista - Parte II

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"Descubra o líder que há em si" - Livro de Afonso Valente Batista - Parte II

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Deixamos a certeza que não cabem naquilo que entendemos como o estilo de liderança mais adequado aos nossos tempos, todos aqueles que vivem de iludir os outros, para alimentar os seus egoísmos pueris, as suas necessidades de afirmação, as suas fraquezas manipuladoras, e que visam
a sua realização pessoal e profissional através do consumo dos outros como se de objectos se tratassem.

Esses, se forem líderes por qualquer engano cósmico do acaso, ficarão registados no nosso tempo e no nosso espaço como «algo» que aconteceu de errado, porque tendo o ser humano a missão de trilhar os caminhos da perfeição, há sempre acidentes de percurso.

 

Líder, liderança e crise, esta e as outras porque já passámos, são também tema da nossa conversa.

Não vivemos só a crise económica, a crise financeira, a crise das ideologias e a crise dos sistemas políticos, entre outras, mas, principalmente, a crise de valores e de caráter, crises que passaram a determinar a ambição do ser humano e que fizeram ruir os mitos das velhas lideranças como seres venais e oportunistas.

Nas crises, e nesta, em particular, que muitos consideram a crise de todas as crises, podemos estar a empurrar o ser humano para a tentação de ultrapassar os limites da decência em utilizar, manipular e consumir os outros seres humanos. Por isso destacamos a importância da integridade, da honestidade e do humanismo como características fundamentais da personalidade e do caráter dos líderes de hoje.

Daqueles de quem necessitamos para vencer as crises.

O muito sofrimento que anda por aí à solta e que mata silenciosamente, sem que se vislumbre uma solução que reponha a dignidade do homem em não ser o principal consumidor do outro homem, seja de que forma for – no plano material ou no plano dos afetos -, é a prova mais que suficiente da falência das velhas lideranças e da necessidade de restaurar um sistema que recupere a credibilidade de não premiar só as competências técnicas mas que enalteça os valores, a hombridade e a seriedade.

 

Esse é o sinal do «tudo» que tem de ser feito para vencer esta ou qualquer outra crise. Restaurar a dignidade do ser humano e acabar com a sua não utilização como «coisa descartável» que se abandona quando consumido.

Ser líder, nestes tempos conturbados, marcados pela abundância de tanta coisa supérflua e encantatória e pela falta de tantas outras coisas, tão essenciais, como o caráter e a honestidade, é o desafio que lhe fazemos.

Por isso iniciamos…

«Era uma vez» alguém que aceitou o desafio de partir à descoberta do líder que há em si.